28 de jun de 2014

A variável invariável.

Meu eu-lírico tem restos seus pelas bordas, pólos e miolos. Qualquer um percebe sua passagem por aqui. São visíveis os estragos, as construções também. Monumentos bonitos, desabamentos perigosos.
O timbre da voz dos meus textos terá sempre a sua dissonância. Ainda te acho no meu olhar, principalmente quando morro. Vivos somos tão diferentes, amor. Viver ao seu lado seria comicamente trágico, mas, morrer, poético. Não ligo tanto para a poesia quanto você, isso rege tudo. Quem me vê te odiar não sabe que somos os mesmos, não desconfia que partilhamos do mesmo ponto fraco.
Uma pena ter te conhecido quando você não era mais você, porém, talvez tenha sido essa a causa do meu gostar tão inexplicavel e espontâneo. Gostei do você que não é realmente você porque eu também não sou realmente eu. Duas versões falsas da mesma história. Carcaças avulsas.
Olha só, meu amor, quase nos encontramos. Você perfurou minhas inúmeras camadas de resistência, eu me infiltrei na sua dor e por pouco não chegamos lá. Senti seu cheiro, segurei parte da sua ferida exposta, e, a partir disso, por mais que qualquer outra voz lúcida me diga que eu nunca te encontraria porque suas bolhas são absolutamente ilusionistas e mentirosas, sei, comigo, que acredito no que vi. Acredito no seu choro, e nos seus lábios que me beijaram a testa. Cago pro resto.
É mais leve ter plena certeza que você não irá ligar, aceito a condição. Contudo, espero. Não sei o quê, você sabe. O silêncio da madrugada quase explode meus tímpanos. Seu silêncio também.
Lembro todos os dias da saudade que sinto da nossa guerra, mesmo quando é sol, mesmo quando sambo. Você roubou na nossa batalha, jamais morreremos sem a última partida.
Não jogue fora meus papéis, foi pra te amar mais um pouco que eu escrevi sobre os seus olhos.

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